jul
10

Argentina Campeã Pan-Americana Feminina

Brasil e Argentina se enfrentaram na final do Campeonato Pan-Americano do Chile 2009. As duas seleções estavam invictas no campeonato. O Brasil superou a República Dominicana da semi-final e a Argentina venceu as donas da casa.

Assim, Chile e República Dominicana disputaram a medalha de bronze. A partida também valia para classificação para o Mundial da China 2011!

A partida foi muito disputada, terminando o tempo normal com empate em 23 gols. Na primeira prorrogação permaneceram empatadas em 27 gols!

Na segunda e última prorrogação, as donas da casa, com o apoio da torcida, conseguiram levar a medalha e a vaga para o mundial com o placar de 34 x 30.

Na final, o Brasil, com seu jovem time, terminou o primeiro tempo atrás da Argentina, com o placar de 9 x 12. Porém, no segundo tempo o Brasil conseguiu aplicar seu melhor handebol, terminando o jogo empatado em 23 gols (mesmo placar da disputa do bronze).

Depois de alcançar o empate no tempo regulamentar, o Brasil ainda lutou até o último segundo da prorrogação, porém as argentinas levaram a melhor, com o placar de 26 x 25.

O técnico Morten Soubak comentou que “Sofremos com a inexperiência das nossas jogadoras nessa final. Não que isso justifique alguma coisa, pois essas jogadoras tinham totais condições de conquistarem o título, mas cometemos alguns erros como perder a bola no final do jogo e isso nunca pode acontecer. Com isso, acabamos superados. Estamos todos muito tristes e decepcionados. Por outro lado, tenho que destacar os pontos positivos desse jogo. Estivemos atrás no placar em alguns momentos e as jogadoras souberam buscar o resultado e recolocar o Brasil no jogo. Isso foi muito bom”.

Vídeo publicado no site da Confederación Argentina de Handball:

Argentina Campeón Panameriano 2009
Representaram o Brasil:

Goleiras: Adriana Stefani Gava (Leon Balonmano – Espanha) e Bárbara Elisabeth Arenhart (B.M. Parc Sagunt – Espanha).
Armadoras: Adriana do Nascimento Lima (Maliye Milli Piyango – Turquia), Flávia Nascimento Silva (B.M. Femenino Monovar – Espanha), Francine Camila Moraes (Cementos L.U. Ribarroja – Espanha), Giorgea Marcio (Molly Cleba – Espanha), Jaqueline Anastácio (Metodista / São Bernardo – SP), Lucila Viana da Silva (Suzano / UniSantAnna – SP) e Mayara Fier de Moura (Leon Balonmano – Espanha).
Pontas: Alexandra Priscila do Nascimento (Hyppo – Áustria), Aline Waleska Pará Lopes Rosas (AD Blumenau – SC), Célia Janete da Costa (Metodista / São Bernardo – SP) e Fernanda França da Silva (Metodista / São Bernardo – SP),
Pivôs: Livia Martins Horácio (Metodista / São Bernardo – SP), Scheyla Gris (Molly Cleba – Espanha) e Regiane dos Santos Silva (Suzano / UniSantAnna – SP).
Comissão técnica: Morten Soubak (técnico), Robson Sanches de Andrade (assistente-técnico), Ana Sheila de Paiva (fisioterapeuta) e Jacqueline Ribas (supervisora).

Que venha o Mundial da China, para mostrarmos nosso melhor handebol.

jul
10

Equilíbrio marca disputa do bronze Paulista

Hoje as equipes TCC/Unitau/Unimed de Taubaté e USCS/São Caetano jogaram em busca do bronze no paulista masculino.

Quando as equipes se enfrentaram na fase classificatória, a equipe de Taubaté venceu por 8 gols, com o placar de 28 x 20.

A disputa do bronze não teve superioridade de nenhuma equipe, terminado o empatados em 27 gols.

Assim, São Caetano levou o Bronze, por causa da melhor campanha, e Taubaté ficou em quarto lugar.

jun
12

Borges retorna ao Brasil de férias e se concentra na realização de jogo beneficente

Borges e Amigos 2009

No início deste mês, Borges desembarcou no Brasil para descansar da forte temporada na liga espanhola. Com o acúmulo de competições pelo seu clube e pela seleção, o atleta não tinha férias há três anos e agora pode desfrutar de sua terra natal.

Felipe Borges, diz como desfrutará as férias: “Não tenho muito tempo para aproveitar pois iremos treinar com a seleção para um desafio contra Portugal.”

Mesmo nas férias ele não esquece o handebol e esse ano pode realizar um sonho, promover um jogo beneficente que além de arrecadar alimentos, pode promover o esporte que é apaixonado.

O jogo Borges e amigos 2009 será realizado em São Bernardo do Campo, no ginásio do Baetão, dia 19 de junho às 19h30min e vai contar com grandes astros do handebol brasileiro e pessoas que marcaram a vida do atleta, que afirma: “Estou realizando um sonho em promover o handebol e ajudar uma instituição da minha cidade, estamos planejando esse evento a algum tempo e ver ele se concretizando é fantástico.”

No dia do evento serão arrecadados alimentos não perecíveis que serão doados a uma instituição de caridade da cidade de São Bernardo do Campo.

O jogo contará com grandes atletas da atualidade e alguns que já se aposentaram, porém foram essenciais para a formação de Borges.

O evento conta com apoio da Adidas, EMS, SP e M Consultoria e Representações, ORTTOC Odontologia, Atacado Bem Barato, Ultra DJs e Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, com organização do Portal do Handebol.com.

mai
31

Deonise é jogadora do Le Havre (França)

Após um semestre na equipe austriaca Hypo Niederösterreich, chegando as semi-finais da Champions League, se consagrando Campeão da Liga e da Copa Austríaca, a Deonise deixa a equipe para um novo desafio.

Ontem (28/05) ela foi apresentada como novo reforço para duas temporadas do Le Havre, forte equipe francesa, que pela quarta vez consecutiva alcança o vice-campeonato da Liga Francesa.

Neste clube, a brasileira Deonise terá companhia da goleira Darly Zoqbi, também com diversas convocações para seleção e atuou nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Em uma festa no cassino de Le Havre, a equipe apresentou seu projeto aos dirigente, patrocinadores e torcedores. O ponto alto do projeto foi a apresentação da Deonise, conforme informação do site: www.Deonise.com.

A jogadora se mostrou contente com o novo desafio, comentando que “Estou muito feliz de poder estar aqui, o projeto que me apresentaram me empolgou muito para poder dar continuidade na minha carreira e tenho a certeza que vamos conquistar muitos títulos. Vim para Le Havre para ser campeã, e tenho a certeza que vou conseguir conquistar meus objetivos.”.



fev
01

CBHb x PLANEJAMENTO

Acabou a “nossa” copa do mundo! Como mais um amante desse esporte fantástico, é assim que sinto quando acaba mais um campeonato mundial de handebol. Hoje temos a possibilidade de acompanhar mais de perto, ao vivo, estatísticas on-line, estudar esse esporte que tanto encanta um público carente de informação. Com isso podemos formar uma opinião mais crítica da nossa estrutura para o handebol e como estamos longe de um ideal aos profissionais que lutam por esse esporte.
Tendo em vista o espetáculo que cerca um jogo, não podemos criticar ninguém, pois sabemos que os valores para criar um “show”, como acompanhamos neste mundial, está fora da nossa realidade, porém, podemos discutir PLANEJAMENTO que necessita sim de pessoas competentes e realmente preocupadas com o futuro do handebol brasileiro.

Uma seleção que treinou uma semana, mais exatamente dez treinos antes de uma competição deste nível beira ao amadorismo e a falta de interesse para que o esporte cresça. Entendo que temos atletas contundidos, alguns com problemas que não podem servir nossa seleção, porém todas as seleções do mundo têm problemas e nem por isso abandonam um campeonato tão importante como esse.

O técnico é a peça chave em um planejamento, e não podemos aceitar que vamos para um mundial, que é a competição mais importante depois da olimpíada, sem saber se esse é esse técnico que vai dirigir o projeto para os Jogos Pan-americanos do México e quem sabe a uma próxima olimpíada. Uma renovação é sim muito bem vinda, porém aliada a um projeto, e não uma convocação de última hora de alguns garotos com muito potencial.

Temos como exemplo a nossa seleção Junior, que foi a oitava colocada no mundial da categoria realizado no Brasil, no ano de 2003. Se perguntarmos a um dos atletas que participaram deste grupo se treinou muito, ele dirá que treinaram demais, às vezes em três períodos, comiam handebol, dormiam pensando nisso, se comunicavam no olhar, se dedicaram ao máximo a um sonho de uma juventude que queria muito e fez história.

Estamos colhendo os frutos desta geração, Diogo se mostrou muito equilibrado e comandou muito bem o time, porém em dez treinos não tem como entrosar uma equipe. Borges não foi muito bem nos dois primeiros jogos, porém assumiu a responsabilidade e fez um mundial formidável, terminando a competição na terceira posição entre os artilheiros e no top 3 em roubos de bola. Maik, por sua vez, mostrou que é o melhor goleiro brasileiro em atividade, mas em apenas alguns treinos não podemos cobrar um trabalho conjunto do goleiro e defesa. E o técnico dessa seleção também é o mesmo do mundial junior de 2003.

Não podemos criticar nenhum dos que se sujeitaram a essa loucura de participar da competição na Croácia, infelizmente o que alimenta muitos que estão no mundo do handebol é o amor ao esporte e isso por muitas vezes nos prejudica. Os atletas recebem 10% de uma diária de um jogador atuando por seleção europeu, lembrando que esses que fazem com que aconteça o handebol e deveriam ser mais valorizados, sem atletas não há jogo.

O patrocínio da Petrobras junto com os incentivos do COB ultrapassam os 5 milhões de reais por ano, não sabemos se a administração atual faz bem ou mal ao nosso esporte, pois já está a frente da CBHb a muito tempo, segundo matéria publicada no UOL (“Era Nuzman” ajuda a perpetuar cartolas eternos no esporte olímpico), o atual presidente está a frente da confederação desde de 1992, ou seja, 17 anos a frente de um esporte que cresceu bastante, porém parece ter chegado a um limite e com um incentivo tão grande deveria ter mais espaço na mídia e uma estrutura mais íntegra.

Em 2011, o Brasil será sede do mundial adulto feminino, ótimo para nosso esporte, mas como vamos sediar uma competição mundial se a nossa competição nacional tem seis equipes, isso mesmo seis equipes sendo que apenas duas disputam a grande final faz alguns anos.

No mundial da Croácia, recém terminado, existiam sete cidades sedes, no mundial da Alemanha 2007, foram utilizadas doze cidades, no mundial feminino da França 2007, eram onze cidades sedes.

Como vamos sediar um mundial se temos apenas duas equipes com estrutura, assim sendo apenas duas cidades que vivem handebol feminino de alto nível, acredito que deveríamos valorizar mais as nossas competições nacionais antes de trazer competições de grande porte como um mundial adulto. Seria humilhante ver os ginásios vazios, como em nossos campeonatos, em uma competição deste nível.

Nossa liga nacional feminina e masculina, na verdade é uma liga sul-sudeste, e só vamos melhorar isso quando tivermos espaço na mídia, atraindo assim mais patrocinadores, viabilizando carreira mais digna aos praticantes deste esporte. Um atleta de handebol no Brasil não pode fazer planos, pois não sabe se no ano seguinte a equipe ainda resistirá a todas as dificuldades, se não resistir esse atleta terá alguma equipe para jogar no ano seguinte? Em alguns lugares se expõe ao ridículo de acertar um salário, de jogar uma liga nacional e não receber o que estava combinado, diferente da Europa onde os contratos são firmados e o atleta pode se preocupar apenas em jogar handebol.

Neste mês de fevereiro ocorrem as eleições da confederação Brasileira e convido todos que acompanham esse esporte para discutirmos o futuro do handebol aqui no PortaldoHandebol.com. As opiniões relevantes serão descritas e discutidas sempre, e nós amantes e apaixonados pelo esporte temos que emitir opinião, atletas de renome, ex-atletas, dirigentes, praticantes da modalidade, somos responsáveis para que exita evolução maior desse esporte que encanta.

Mande o seu e-mail para nós no colabore@portaldohandebol.com que será uma grande satisfação receber a opinião de todos, só assim podemos crescer.

Espero que já no final do ano, na copa do mundo feminina (Mundial da China 2009), a seleção tenha planejamento para alcançar e, porque não, melhorar a 7ª colocação obtida em 2005 na Rússia.

Também espero que na Suécia em 2011, a nossa próxima copa do mundo masculina, possamos elogiar a nossa seleção e valor nossos ídolos, porém sem deixar nunca de opinar e criticar para o crescimento do nosso HANDEBOL.

dez
11

Adriana Gava e Leandro Dias

Equilíbrio, incentivos e convergência de informações dentro e fora de quadra.

Apesar de compor enredos semelhantes, os personagens mobilizados para as duas sequências e os panos de fundo iniciais guardavam particularidades singulares. Em ação, jovens encantados com a modalidade descoberta nas quadras do colégio. Diferente do futebol ou do futsal, o esporte era praticado predominantemente com as mãos. Os gols saíam quase que a cada ataque. Seria possível diminuir essa margem?

Coincidência ou não lá foram eles para debaixo das traves. A obsessão inicial não era por fazer gols, e sim em como agir para evitá-los. Deste primeiro lance logo partiram para os treinamentos semanais nas categorias de base de clubes de ponta do handebol paulista. Ela na própria capital, ele em São Bernardo do Campo. Desde os primeiros passos, a admiração por grandes nomes da modalidade era potencializada a cada encontro com eles nos ambientes de treinamento e de competições dos clubes que defendiam.

Amizades com companheiros de jornada apareceram e auxiliaram tanto quanto os conselhos de treinadores e as investidas em outras posições das sete possíveis em uma metade da quadra. Cada palavra e todas as novas vivências repercutem ainda hoje, seja para prever determinada trajetória ou movimento de braço, seja para aconselhar das arquibancadas com auxílio de olhares ou outros gestos.

A trajetória aparentemente desconexa da dupla de goleiros começou a insistentemente coincidir. Antes das convocações para as seleções brasileiras nas categorias de base e o primeiro encontro em um hotel em que as seleções brasileiras masculina e feminina juniores ficaram concentradas ao longo de uma importante competição, vieram trocas de clubes.

Adriana teve o primeiro contato com a atual assistente técnica da seleção feminina adulta em Guarulhos. E de lá rumou rumo ao handebol europeu. Na primeira tentativa uma contusão frustrou seus planos. A parada obrigatória apenas adiou sua transferência e confirmou sua obstinação em lutar para consolidar sua carreira na modalidade e chegar a uma olimpíada, quem sabe já em Londres.

Leandro trocou de cidades no ABC paulista depois de passar por outra grande equipe do estado. No IMES dividiu quadra e participações em jogos da Liga e do Campeonato Paulista com antigos ídolos. Pouco tempo antes, ainda pelo juvenil, foi treinado e orientado por um dos grandes goleiros do Brasil.

Além da rotina de treinos, jogos, viagens, da história da carreira, e da identificação das características de jogo dos parceiros, o casal Leandro e Adriana avaliou aos microfones do Portal do Handebol (pouco antes da apresentação de Adriana à última etapa de treinamentos da seleção brasileira feminina para os Jogos de Pequim) o atual panorama da modalidade no Brasil. A dupla adiantou planos para o segundo semestre e ainda listou uma formação internacional de respeito e elevado rendimento para atuar em um hipotético clube gerenciado por eles.

Leandro Dias e Adriana Gava

Leandro Dias e Adriana Gava

Portal do Handebol: Vamos começar com a Adriana. Como você define o estilo de jogo do Leandro embaixo das traves?

Adriana: Ele é um goleiro que joga muito pensando em trajetória em posicionamento. O estilo dele é bastante completo. Vai bem em bola dos nove, em bola dos seis metros, quando precisa ser explosivo ele é. Quando precisa ser calmo e trabalhar posicional ele consegue também.

P H: Quais são os pontos fortes dele?

A: Arremessos dos nove metros e contra-ataques.

P H: Agora vamos inverter, o Leandro vai definir o estilo de jogo da Adriana.

Leandro: A Adriana usa bastante a envergadura para se sobrepor diante das outras jogadoras. Ela tem recursos, não se garante somente com a envergadura, se sai bem diante de vários tipos de situação, qualquer tipo de arremesso. Sabe manter o emocional bem controlado, busca soluções para alguns problemas que acontecem durante a partida. Ela é uma goleira que raciocina bastante durante o jogo.

P H: Mantendo ainda essa forma invertida. Adriana, você acha que o Leandro vive atualmente o melhor momento da carreira dele?

A: Quanto mais velho ele consegue ficar cada vez melhor, com mais informações. Na minha opinião, o melhor momento dele foi quando ele foi para o Mundial. Ele estava muito bem na parte física e na parte de quadra, mas agora ele está passando por um processo de amadurecimento e tende a ficar cada vez melhor dentro de quadra.

P H: Leandro, a mesma pergunta em relação à Adriana.

L: Ela tem facilidade para colocar em prática as informações que ela capta antes e durante as partidas. Além disso, se supera bastante em quadra e cada vez apresenta um amadurecimento maior, muito por jogar em uma Liga muito forte, uma Liga Européia [Espanhola, pelo Léon Balonmano]. E com isso, ela tem demonstrado resultados muito bons e atuado em alto nível.

P H: Como vocês se conheceram, e o que vocês acham da coincidência de atuarem na mesma posição?

A: A gente se conheceu no Campeonato Sul-Americano. Nós estávamos na seleção brasileira Júnior. Eu na feminina, ele na masculina e por coincidência nossos quartos eram um do lado do outro. E foi ali no hotel que a gente começou a se conhecer, a conversar… e foi assim jogando….

L: … Por jogarmos na mesma posição, tínhamos bastante assunto em comum. Nós começamos trocando informações de goleiro para goleira e acabamos aprofundando um pouco mais o contato. E resultou em namoro.

P H: Vocês acabaram de falar em troca de informações. Quando um acompanha o jogo do outro, vocês costumam se comunicar ou mesmo passar dicas na base da troca de olhares ou de gestos?

A: Com certeza, quando um vai ao jogo do outro, o que está no gol já sabe onde o outro fica sentado e trocamos essa ajuda sim.

L: Normalmente trocamos informações ao longo das partidas para alguns tipos de situações e costuma surtir efeito. Sem nenhum tipo de pressão, mas a gente acaba trocando contatos que dão resultado produtivo no jogo.

P H: E vocês se sentem mais motivados com o namorado ou a namorada na platéia?

A: Temos mais vontade de mostrar que estamos bem, que passamos por um bom momento. Ainda mais agora que está tão difícil de um ver ao jogo do outro.

L: Com certeza, porque um sabe do outro o quanto a gente busca e o quanto lutamos nos treinos. E a gente quer mostrar. Jogamos por nós mesmos, pelos nossos clubes e pela pessoa que está junto com a gente e conhece a luta que travamos para continuar jogando, atuar em alto nível e se superar nos jogos. E é importante quando um prestigia a partida do outro.

P H: Agora vamos individualizar o bate papo. Começando com a Adriana. Qual é sua expectativa para a fase de treinos da seleção na reta final de preparação para a olimpíada de Pequim. Você é uma das 21 pré-convocadas e os treinos começam em poucos dias?

A: Minha expectativa sobre o meu desempenho ou o da seleção?

P H: Dos dois.

A: Individualmente, eu estou muito feliz por ter sido convocada, em participar do processo olímpico. Isso já é um grande feito para mim. Uma coisa que eu buscava era chegar a esse lugar, à fase de preparação. Eu espero desempenhar um papel muito bom conseguir mostrar para eles [integrantes da Comissão Técnica] o meu trabalho, já que eu estou há um ano sem ir para a seleção. O tanto que eu fiz nesse período e comprovar que eu evoluí, e que quero render ainda mais. E, claro esperar pela convocação seguinte e quem sabe, ir para a outra etapa de treinamentos, e se possível para a olimpíada. Mas o primeiro objetivo é participar bem desta primeira fase de treinamentos e comprovar o quanto eu evolui neste tempo longe.

P H: Essa lembrança se torna um alento a mais para possíveis e futuros ciclos olímpicos, já que duas de suas concorrentes, a Chana e a Darly, tem experiências maiores na seleção adulta e na disputa de Jogos Olímpicos e você pela pouca idade poderia ser peça fundamental para Londres 2012?

A: Com certeza, já é uma olimpíada que eu quero estar. Me projeto nela, e ao mesmo tempo quero aproveitar essa oportunidade às vésperas de Pequim para absorver informações delas, das jogadoras mais “velhas”, porque a gente tem pouco contato, uma joga na Dinamarca e a outra na França. E claro pensar no futuro, se caso não acontecer, saber que eu tenho uma próxima chance. Eu sei que sou nova e pela minha idade vai estar tudo certo para a próxima.

P H: Além da Chana e da Darly, que outras goleiras você usa como espelho, ou como referência?

A: Eu vou falar do exterior, eu acho muito bom o estilo de jogo da goleira da Noruega, a Katrine Haraldsen, e eu gosto de adotar um estilo parecido com o dela. Acho ela muito completa. E da Katalin Palinger da Hungria. As duas são as que eu mais gosto de assistir e me espelhar. Eu também observo muito os goleiros do masculino. Por ser muito mais difícil pelo tamanho dos jogadores e pelo nível de jogo. Um deles o Thierry Omeyer da França e o meu ídolo no goL: o Vlado Sola da Croácia, que já não está mais na seleção, mas eu vi muito jogo dele e eu gostava muito.

P H: Desde o seu começo no handebol você atuou como goleira? Na época havia alguma outra fonte de inspiração?

A: Desde novinha, da época do colégio comecei no gol e me espelhava como sempre no Taffarel, por causa da Copa de 1994.

P H: Teve algum motivo especial, ou desde cedo você teve uma afinidade pelo gol, ou melhor, por evitá-los?

A: Não, não teve afinidade não. O professor me falou: você vai para o gol. E eu aceitei, beleza, e comecei e não larguei mais.

P H: Você já está há quanto tempo na Europa?

A: Seis meses, eu estou lá faz seis meses.

P H: No começo você acabou se machucando quando fazia um teste por uma equipe, se recuperou e agora já está atuando. Conte-nos um pouco deste momento.

A: Antes, no começo do ano passado [2007] eu fui para a Dinamarca fiz um teste em uma equipe da primeira divisão de lá, e no último no dia por fatalidade no último amistoso antes de acertar o contrato, tive a lesão no meu joelho. Acabei voltando para casa, o clube que eu defendia aqui no Brasil faliu. Eu me recuperava, e no meio deste processo veio uma proposta da Espanha e agarrei com unhas e dentes.

P H: E foi seu momento mais difícil na carreira?

A: Com certeza.

P H: E no que você se apoiou para poder se recuperar e voltar a jogar em alto nível?

A: No sonho que tenho de ajudar o Brasil, a seleção brasileira. O sonho de participar da seleção e defender o país.

P H: Depois desta passagem pelo time da Dinamarca, você fechou com o León Balonmano. Foi mais fácil se adaptar na Espanha?

A: Com certeza, pelo menos a língua você compreende, com pouco mais de duas semanas já sabia falar alguma coisa e entendia quase tudo. E se fosse para uma equipe em um país com um idioma completamente diferente, como na Dinamarca eu ia sofrer muito mais para me adaptar.

P H: E o que muda de lá para cá em termos de treinos, em jogos, em divulgação do esporte?

A: Muda tudo. Todas as equipes têm vários patrocinadores, o nível de jogo: têm 14 equipes muito fortes, muito fortes, a Liga é bem mais divulgada. Cada cidade tem emissoras de rádio, de televisão que promovem a equipe local. É tudo, cartazes, panfletos espalhados pela cidade inteira quando você vai jogar. E aqui você vê uma Copa Brasil e ninguém sabe que é sediada em São Bernardo. Poderia haver uma divulgação melhor. Por ser um esporte muito praticado nos colégios, muita gente poderia comparecer, se a divulgação fosse ampliada nesses lugares. Estaria cheio de crianças. Tem que saber atrair mais o público para as partidas de handebol. Está faltando isso.

P H: E como você falou em trazer o público, como é o envolvimento lá? Como o torcedor se comporta, ele é tão fanático quanto o daqui com o futebol, ou ele é mais ainda?

A: Tem lugares em que ele é muito fanático. Tem gente que veste a camisa, pinta e rosto e tudo mais. Em equipes mais tradicionais, que são as melhores equipes, tem muita gente assistindo, crianças para todo o lado. Muito legal mesmo.

P H: E qual sua avaliação do seu desempenho na temporada 2007/2008?

A: Satisfatório, por tudo o que eu passei, eu joguei muitos jogos, fiquei bastante tempo em quadra e foi muito satisfatório para mim. Eu não consegui desempenhar ainda o trabalho que eu pretendo, mais pela parte física que eu preciso recuperar. Quando você opera um joelho ocorre um desequilíbrio entre uma perna e a outra, de músculo, e eu estou me reequilibrando, para nesta temporada conseguir ir melhor.

P H: Você atuou pelo León mesmo ou por alguma outra equipe?

A: Eu fui emprestada para o time de Castro Udiales, no norte da Espanha, fiquei quatro meses ali, joguei todos os jogos desde quando cheguei. E eu fui para León no final da temporada para arrumar as coisas para a próxima temporada que eu jogarei por lá. E o León é uma equipe muito melhor do que essa em que eu estava.

P H: O León conta com outras brasileiras no time.

A: Meu time tinha a Dara [Fabiana Diniz, que se transferiu para o Orsan Elda Prestígio], a Milene[Figueiredo] e a Mayara [Moura, também participou da fase final de preparação para Pequim] e eu. Agora vai outra brasileira comigo e com a Mayara que é a Sheila [Gris] que é do Sul e também vai jogar lá. Isso ajuda muito brasileiras juntas. A colônia brasileira ajuda na adaptação, no jogo, na convivência, tudo fica mais fácil.

P H: Você espera trilhar o mesmo caminho da Sílvia Helena e da Deonise Cavaleiro no Léon. Em uma temporada elas se destacaram e conseguiram ir para um time com ainda mais visibilidade e projeção na Espanha?

A: Eu creio que o Léon é um time bom para estar começando, é um time limitado, a gente sabe das limitações financeiras e dentro de quadra mesmo, mas para o meu objetivo agora está ótimo, está perfeito. Não é necessário mais. Agora mais para frente, daqui um, dois anos, três, com certeza, o objetivo é ir para as melhores equipes do mundo.

P H: Voltando à sua carreira no Brasil. Você foi treinada por alguns grandes nomes, entre eles a Marisa Loffredo. Quais profissionais você destacaria deste período?

A: Eu vou falar da minha primeira técnica que foi a Kátia Carvalho de Souza, que foi com quem eu aprendi a jogar. Porque até então eu apresentava o suficiente para o nível escolar e foi ela quem me colocou em um nível compatível ao exigido pelo handebol profissionalmente. Tive contato com ela nas categorias de base do Sport Clube Corinthians Paulista. Eu joguei cinco anos por lá. Depois fui para o Guarulhos. E de lá destacaria a Marisa que é uma pessoa que faz qualquer grupo virar uma equipe de união.

P H: Tanto no Guarulhos como no Corinthians que momentos da carreira, títulos, você costuma lembrar com maior carinho?

A: No Corinthians, o nosso primeiro título que foi o Campeonato Paulista Cadete, acho que foi em 2005 se não me engano, ou antes 2003, não sei direito. Foi o primeiro título do clube e foi um marco para a gente que estava ali. E na minha carreira também um título na seleção que foi o de melhor goleira em uma Mini Copa que teve na República Tcheca.

P H: Qual o seu envolvimento com o handebol e o que ele significa para você?

A: É o meu trabalho, ocupa grande parte da minha vida. É tão bom quando conseguimos conciliar o trabalho com a nossa paixão. Eu tenho também minha vida pessoal, mas o trabalho conciliado com diversão é muito bom.

P H: Em algum momento, você sofreu com dificuldades financeiras ou outras ameaças que colocaram em risco a continuidade de sua carreira?

A: Eu me recuperei da lesão no joelho porque eu contava com o Bolsa Atleta, e o convênio médico mantido pelos meus pais, porque o clube que eu estava aqui no Brasil faliu. E o clube da Dinamarca que eu tinha ido fazer os testes, eu ainda não havia fechado o contrato, lá é tudo por contrato, não ajudou em nada também. Eu voltei com uma mão na frente e a outra atrás. Fiquei desamparada e tive que correr atrás por mim mesma para voltar a jogar.

P H: O handebol feminino brasileiro vive hoje seu melhor momento?

A: Jamais. Do que eu conheço de handebol, em termos de condições para se jogar aqui, o esporte passa por um dos piores momentos. Porque quando eu comecei a jogar existiam muito mais equipes, tinha o Mauá [Universo], Guarulhos, MESC, até mesmo Santo André, muito mais equipes e uma Liga Nacional muito mais forte. E com a falta de incentivo, o que ocorre é que pouco a pouco a prática está se extinguindo. As equipes estão saindo o dinheiro e os investimentos diminuindo…

… PH: e em termos de resultados da seleção?

A: A seleção eu acredito que vive seu melhor ano. Desde a chegada do Juan Oliver Coronado, deu uma grande mudada na dinâmica da equipe. Cada vez mais a tendência é a gente chegar a degraus mais próximos das medalhas.

P H: Você já teve algum contato com o Juan Oliver?

A: Já, em outras fases de treinamento.

P H: Com essa turbulência interna do handebol brasileiro e a diminuição na quantidade de equipes e no volume de incentivos, a opção de jogar na Europa se torna um dos poucos caminhos possíveis?

A: A Europa hoje é o único caminho para quem quer viver do handebol. Porque o que eu vejo aqui, é muito incentivo para o masculino e pouco incentivo para o feminino. É só olhar por ano quantas equipes temos no Campeonato Paulista feminino e no masculino. Entre as mulheres permanecem duas, três, pouquíssimas. É uma tristeza para mim, porque eu sou super nova. Por mim eu teria ficado mais um pouco por aqui, mas por falta de equipe, por falta de competição não tive como. A própria falta de competição faz com que os salários sejam mais baixos, não tenha estrutura. Quanto mais times com estrutura melhor vai ser para o atleta.

P H: Alguns comentaristas e alguns veículos chegaram a noticiar que em alguns casos, ajudas como o Bolsa Atleta e outros benefícios equiparam os ganhos aqui no Brasil e em algumas equipes da Europa. E que o êxodo só ocorreria pelo maior nível de competitividade nas disputas por lá. É o que ocorre no seu caso?

A: Não, com certeza o salário na Europa no meu caso é melhor. Pela moeda mesmo, você pode até ganhar os mesmos em números, mas ao voltar para cá é duas ou três vezes mais.

P H: Transição agora para o Leandro. Você defendeu a equipe da Hebraica na edição 2008 do Campeonato Paulista. Com uma equipe bem jovem, vocês alcançaram as quartas de final e por detalhes foram eliminados por Taubaté. Você fez boas apresentações, como contra a Metodista. Que balanço você pode fazer deste semestre?

L: Individualmente eu saí satisfeito com o trabalho que eu fiz. Porque eu joguei no ano passado por uma equipe do Rio de Janeiro e fiquei afastado aqui de São Paulo, e isso me fez muita falta. Achei que teria uma defasagem, mas consegui jogar em um nível bom contra as equipes grandes. E no sentido de grupo, é um time com um potencial muito grande, mas que ainda falta experiência na hora de decidir. Mesmo assim, fizemos bons jogos contra as equipes grandes, perdendo de muito pouco, dois ou três gols. E não avançamos para as semifinais por detalhes. Por muito pouco. É um grupo com um enorme potencial e que se mantiver em um espaço de tempo curto vai ter um desempenho bem maior.

P H: Seu técnico, o Álvaro Herdeiro, declarou em algumas entrevistas que você além de ser uma das peças de destaque da equipe é um goleiro de muito futuro. O que você tem a dizer sobre ele, sobre o trabalho desenvolvido por ele, como foi o relacionamento neste período?

L: Ele é uma pessoa que dá oportunidade para os mais novos, o que não acontece muito nas outras equipes de São Paulo e do Brasil de uma forma geral. Por dar esta oportunidade, que é muito valorizada, ele merece elogios e é um dos poucos técnicos a fazer isso. E a Hebraica é um clube que costuma conceder esse tipo de oportunidade, o que faz muita falta em outros clubes grandes em que jogadores jovens que poderiam se destacar da mesma forma, mas não conseguem pela falta desta oportunidade.

P H: Você construiu toda a sua carreira no handebol paulista e se transferiu na temporada passada para a equipe de Campos. Como é a estrutura e o apoio ao handebol no estado do Rio de Janeiro e especificamente no clube em que você atuou?

L: O apoio é quase nulo e o nível é menor que o daqui de São Paulo, bem menor. E eu só fui unicamente por ter a meta de disputar a Liga Nacional, e a única equipe que me deu oportunidade de disputar a Liga Nacional foi essa equipe de Campos. E foi o único motivo de ir para lá, mas com certeza eu não voltaria tão cedo a jogar lá.

P H: De lá você destaca as amizades que foram estabelecidas?

L: O que me ajudou bastante neste período foi o apoio da minha namorada, da minha família, a meta que eu tracei e alguns poucos amigos que eu tive lá.

P H: Você também atuou em São Caetano, teve grandes apresentações no Campeonato Paulista e na Liga Nacional. O que você guarda desta passagem?

L: Eu joguei por cinco anos em São Caetano, desde o juvenil até a categoria adulta. Foi um lugar em que eu vivi todas as situações possíveis, o que foi bom, me passou experiência. Lá pude treinar em alto nível por bastante tempo, desde novo já treinava com a equipe principal, por onde passaram muitos jogadores de altíssimo nível e aprendi muito com isso. Mas chegou o momento em que já não contribuía mais e acabei saindo.

P H: E como foi trabalhar com o Washington Nunes?

L: Foi uma experiência muito boa, eu tive a oportunidade de trabalhar com o Washington tanto no clube como na seleção Júnior e adulta. Não cheguei a ir para os campeonatos, mas aprendi bastante no sentido técnico e por conviver com os atletas de alto nível pude aprender bastante também individualmente.

P H: Você já definiu por qual clube vai atuar no segundo semestre após os Jogos Olímpicos?

L: Não por enquanto nada de concreto ainda. Acabou a participação da Hebraica no Campeonato Paulista, eu estou em um período de férias ainda e tenho perspectivas de ver o que vai acontecer se continuo lá para disputar algum campeonato no segundo semestre ou se vou me transferir para outra equipe.

P H: Além da Hebraica você chegou a receber alguma outra proposta para o segundo semestre?

L: Não, existe a perspectiva de alguma outra equipe, mas nada de concreto ainda.

P H: Nas categorias de base, apesar de ter começado como goleiro, em determinados momentos você se aventurou como ponta. Em que isso te ajudou ou ajuda nos dias atuais, ao ter vivido o outro lado?

L: Eu pude ver as coisas do ângulo de quem atua na linha, e isso ajuda bastante também na questão de referência de posicionamento, de analisar o atleta, o tipo de chute. Isso ajuda bastante.

P H: Você chegou a comentar que desde novo treinava e dividia a quadra com jogadores de alto nível que pouco tempo antes serviam como espelhos para você projetar sua carreira. Como foram esses primeiros contatos?

L: Todas essas pessoas me passaram uma experiência muito boa de convivência em grupo e exemplos de atitudes positivas em quadra. Foram pessoas excepcionais. Independente do temperamento de cada um, sempre me passavam coisas boas. E sem dúvida, isso contribui bastante na minha formação como atleta.

P H: Em que goleiros você se espelha?

L: Nacionalmente eu admiro bastante o trabalho do Alexandre Morelli, o Alê que é goleiro da Metodista. Ele foi uma pessoa que me treinou desde a categoria juvenil, até praticamente o adulto, e que me ajudou muito, contribui demais com a minha formação. É um goleiro que eu admiro bastante em nível nacional, acho justo ele estar no grupo que vai para a Olimpíada. Ele tem um potencial muito grande. E internacionalmente eu admiro bastante o trabalho do Thierry Omeyer, que é o goleiro da seleção da França, por não ter uma estatura muito grande. Ele é goleiro muito inteligente que se posiciona bem, sabe decidir e não depende apenas do porte físico. É bastante inteligente.

P H: Você acha que tem um estilo muito parecido com o do Alê da Metodista por conta da tranqüilidade debaixo das traves que permanece fora dos ginásios também?

L: Então, concentração e tranqüilidade foram itens que o Alê mais insistiu na minha formação e é uma das coisas que mais me ajudam nas partidas decisivas. Por isso que eu digo que ele contribuiu bastante também na minha formação.

P H: Agora uma pergunta para os dois. Nesses momentos de concentração e de viagens em campeonatos em hotéis e alojamentos, vocês viveram episódios engraçados ou inusitados que vocês possam contar? Pode ser juntos ou individualmente?

A: Uma vez, quando eu era júnior teve três campeonatos na República Tcheca que a gente participou pela seleção. E no final do primeiro deles precisamos nos deslocar e viajar de avião. E já no aeroporto ficamos sabendo que a conexão ia demorar cinco horas, e estavam todas ali sem fazer nada. De repente, uma tinha levado um cavaquinho, e começou a tocar. E a gente lá sem fazer nada há quatro horas começou a cantar e a dançar no aeroporto. E por acaso, as pessoas que passavam começaram a jogar moedas, achando que fazíamos aquilo para arrecadar dinheiro. Foi uma ocasião muito engraçada e até hoje quando eu converso com as meninas que estavam lá, a gente dá muita risada por esse fato.

P H: Essa seleção júnior a que você se referiu era a que era formada por Mayara, Duda, você. Esse foi uma das equipes mais fortes, ou que mais tenha se destacado que você atuou?

A: Essa geração tem meninas que já estão hoje na seleção adulta. E o que eu acredito é que essa equipe em que eu estava, e ainda tinha a Duda [Amorim], a Mayara [Moura], a Ana Paula [Rodrigues], todas jogadoras nascidas entre 1985 e 1987, deve ser a próxima a assumir a responsabilidade na seleção. Foi elogiada por muitas pessoas, muitos técnicos e eu acredito muito no potencial e na capacidade de todas daquele grupo. Cinco delas já estão hoje jogando na Europa.

P H: Se vocês fossem dirigentes e pudessem escalar uma equipe dos sonhos, se incluindo se quiserem e sem se importarem com orçamento, nacionalidade ou época quais seriam os escolhidos?

A: Como dirigente meu time teria como central a Anita Gorbicz da Hungria que é muito boa. Nas meias a Elena Polenova da Rússia de dois metros e tanto, na ponta esquerda a Fernanda França da Metodista, eu acho ela muito boa. A ponta direita a Alexandra do Nascimento da nossa seleção. Pivô, uma norueguesa que joguei contra no Mundial. Na outra lateral, a Duda Amorim.

L: Eu colocaria na ponta direita o [Mirza] Dzomba da Croácia, meia direita o Petar Metlicic também da Croácia, central o [Michael] Kraus da Alemanha, meia esquerda colocaria o Karol Bielecki da Polônia, na ponta esquerda o Juan Garcia da Espanha, pivô o Chipkin da Espanha também e o goleiro seria o Thierry Omeyer da França.

P H: Vocês têm ídolos em algum outro esporte?

A: Eu tenho o Rogério Ceni.

L: O Gustavo Kuerten, o Guga, por ter feito uma história muito grande no tênis nacional e por ter lutado tanto contra a lesão dele, ter se recuperado e continuado na ativa.

P H: Microfone aberto e a disposição dos dois para comentarem algo que não tenha perguntado.

A: Eu gostei muito da idéia do Portal do Handebol antes mesmo de começar o site, do interesse de vocês, tomara Deus que tenham pessoas iguais a vocês para divulgar cada vez mais o esporte. E dizer obrigado pelo handebol mesmo, por ter mais pessoas interessadas em divulgar a modalidade.

L: Eu só tenho a agradecer ao Portal do Handebol pelo incentivo e por fazer matérias inteligentes e de qualidade. Eu agradeço, bastante…

A: sem nenhum tipo de preferências por times, equipes ou pessoas…

L: um jornalismo neutro e de qualidade.

P H: Quer deixar algum recado para a torcida? A: Eu espero que compareçam aos jogos, façam um esforço para superar a falta de informação e de divulgação das datas e lugares e venham assistir. E para que as crianças passem a praticar cada vez mais esportes. Somente assim vamos continuar vivendo no Brasil.

L: Além de falar com a torcida, eu gostaria de ressaltar um ponto que não deixei tão claro aqui. Voltando a questão do técnico Álvaro. Ele é uma pessoa especial por dar oportunidade a todos, ser uma pessoa neutra, muito inteligente e quero deixar claro meu agradecimento para ele, pela oportunidade que ele me deu e para as outras pessoas também. E eu acredito que em breve ele estará integrando alguma categoria das seleções nacionais.

jul
25

Princípios do desenvolvimento de atividades e jogos adequados para crianças de 06 a 10 anos no Mini-Handebol

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Especialização em Handebol, orientado pelo Prof. Ms. Décio Roberto Calegari.

Resumo:

Este artigo teve por objetivo identificar as diversas características de cada faixa etária, não só motoras, mas também, sociais e cognitivas, aliando e adequando estas características com os tipos de jogos e atividades que devem ser proporcionados às crianças para estimular e promover seu desenvolvimento global. O presente trabalho caracteriza-se como um estudo exploratório, com fundamentação em revisão de literatura, onde, além de publicações específicas sobre o mini-handebol foram consultados materiais diversos sobre educação física escolar e psicologia, permitindo analogias com outras áreas do conhecimento sobre educação infantil. O mini-handebol pela sua riqueza e ludicidade, mostrou ser uma possibilidade de atividade muito interessante para ser aplicada em escolas e clubes, já que o intuito do mini-handebol vai além de ser um pré-desportivo do handebol, proporcionando o desenvolvimento global da criança e mais do que formar atletas a possibilidade de formar melhores cidadãos. Esse desenvolvimento é conquistado através dos inúmeros tipos de atividades e jogos adequados para cada faixa etária das crianças participantes do mini-handebol, tendo sido utilizada a experiência da Escola de Esportes da Universidade Metodista de São Paulo como exemplo prático dessas possibilidades.

Clique para ler o trabalho completo: TCC de DiegoMelo

jul
25

Deonise Fachinello Cavaleiro

Contribuir com o desenvolvimento técnico do esporte que pratica e, consequentemente, incentivar a ampliação do número de adeptos costuma ser um dos requisitos para medir a paixão de qualquer atleta por sua profissão. Superar obstáculos julgados intransponíveis para demonstrar sua habilidade e sua disposição em consolidar o esporte no cenário internacional, nos meios de comunicação e nos corações e mentes da sociedade brasileira compõe a biografia dos grandes ídolos.

Os laços de afetividade desta gaúcha de 25 anos com o handebol ultrapassam esses parâmetros iniciais. A trajetória dela em quadra e nos clubes que defendeu é muito parecida com a posição do handebol feminino alcançada nos últimos anos. A articulação equilibrada de perseverança e aplicação nos treinamentos permite exibir o entrosamento de um grupo que passou a agir com identidade própria e explorar suas principais características nos jogos. A atuação privilegia a velocidade na execução das ações e a destreza e técnica refinada para fazer gols e neutralizar as maiores armas do adversário.

Peça importante no sistema de jogo adotado pelo treinador Juan Oliver Coronado na seleção brasileira, Deonise Fachinello Cavaleiro destaca o bom ambiente, o convívio sadio entre as jogadoras e a disposição de todas em acertar pequenos detalhes para repetir ou até melhorar o desempenho no Campeonato Mundial. Pouco antes da estréia do Brasil no Mundial da França, em dezembro de 2007 (na primeira parte da entrevista – concedida por e-mail ao portal do handebol em 1/11/2007), a atleta avaliou a participação brasileira na World Cup, disputada em outubro na Dinamarca, além de descrever a sensação de disputar os Jogos Pan-Americanos no Brasil. (a segunda está no aquecimento final para entrar em quadra).

Jogadora do Itxako Navarra, a gaúcha de Santa Rosa ainda destacou que o trabalho desempenhado no dia-a-dia no clube espanhol assegura suas convocações para a seleção brasileira. As atuações regulares e a adaptação eficiente ao handebol espanhol renderam a Deonise a premiação como atleta revelação da temporada 2006-2007 da Liga Espanhola, com a elevada média de quase sete gols por partida (foram 152 em 24 jogos).

Não bastasse a disposição em ajudar a seleção brasileira a alcançar melhores posições no cenário internacional e sua aplicação em quadra para combinar potência nos arremessos da linha dos noves metros, vibração e eficiência na defesa, visão de jogo, velocidade e recursos técnicos para superar a marcação adversária ou deixar companheiras livres para fazer gols (que lhe renderam um patrocínio com renomada empresa de material esportivo), Deonise ainda procura aumentar o espaço de divulgação do handebol.

Com apoio da família, a jogadora divulga notícias atualizadas sobre a rotina das atletas brasileiras que atuam nas equipes do continente europeu. A iniciativa é uma das poucas referências em língua portuguesa para os internautas acompanharem o dia-a-dia de competições e treinamentos das principais jogadoras da seleção brasileira. O site de Deonise também disponibiliza informações em tempo real sobre o andamento das partidas da seleção de Juan Oliver Coronado e da equipe do Itxako nas mais importantes competições do Mundo.

Deonise

Deonise

Portal do Handebol: Que avaliação você faz do atual momento da seleção brasileira? É o melhor em todos os tempos (pelos títulos conquistados, pelo grande número de atletas de alto nível e pelas boas apresentações contra as equipes mais fortes do mundo)?
Deonise: Tenho certeza de que este está sendo o melhor momento que a Seleção Brasileira já teve em toda sua existência e em todas suas disputas. Além de jogar de igual pra igual com as melhores equipes do mundo estamos com um trabalho excelente para podermos chegar ao melhor handebol.

P: Qual a contribuição do método de trabalho do Juan Oliver Coronado e da comissão técnica para o bom momento da seleção. E a participação da Confederação Brasileira nesse processo?

D: A grande contribuição é que eles acreditam no handebol brasileiro e na maneira que o Brasil tem de jogar, e eles transmitem essa confiança para nós jogadoras.

P:O que você pode dizer sobre as meninas que jogam contigo na seleção? Atualmente é possível destacar algum nome, ou o que prevalece é o conjunto e todo o grupo?

D: As meninas são ótimas companheiras e tenho um relacionamento muito bom com todas. Todas que estão ali são as melhores, mas quem está se destacando é a Eduarda Amorim.Mas tenho certeza que a seleção está onde está hoje porque trabalhamos sempre em grupo para tudo, isso é o ponto forte do crescimento.

P: Na última semana você participou da World Cup na Dinamarca. Como você avalia o desempenho da seleção nesses três jogos?

D: Jogamos contra a campeã olímpica (Dinamarca), campeã mundial (Rússia) e Ucrânia que tem tradição no handebol também.Enfrentamos equipes de altíssimo nível, nos desempenhamos muito bem, nos falta pequenos detalhes para uma vitória, detalhes estes que estamos trabalhando muito para chegar no Mundial bem.

P: Qual a importância de jogar torneios como esse na preparação para o Mundial da França em dezembro?

D: Toda a importância do mundo, primeiro que estamos jogando com equipes muito fortes e adversárias diretas no Mundial, experiência, ritmo de jogo, e mais confiança.

P: O fato de você jogar como armadora esquerda e como armadora direita e suas boas atuações na seleção e no seu clube na Espanha, o Itxako Navarra, têm garantido seu nome nas listas do Juan Coronado?

D:O fato de atuar nas duas posições acho que é normal, sempre joguei nas duas. O que me garante na seleção é meu trabalho dia a dia no meu clube, acho que isso é muito importante para depois você mostrar ele na seleção.

P: Como você espera contribuir com a seleção com a confirmação de sua convocação para o Mundial? Esse será o maior desafio da seleção até aqui, já que existe uma pressão para repetir ou até melhorar a sétima posição conseguida em 2005 na Rússia? Se existe pressão como lidar com ela?

D: Quero contribuir da melhor forma possível, sempre estando bem. Será um desafio muito grande, onde teremos que enfrentar adversários muito duros, pressão de conseguir uma melhor colocação, o fato de ficar muito tempo concentradas e fora de casa, longe de familiares, maridos, filhos. A partir do momento que você consegue uma colocação melhor, se manter aí sempre se torna mais difícil, e aí a pressão aumenta ainda mais, mas já estamos preparadas e trabalhando ainda mais essa parte, para podermos estar bem no Mundial.(Apesar da décima quarta colocação no Mundial, o Brasil fez bons jogos na competição. Empatou na primeira fase com a Rússia, que ficaria com o título do torneio. Deonise não só contribuiu com a campanha brasileira, como terminou a competição como maior destaque e artilheira da equipe com 27 gols em seis jogos. No confronto contra a Rússia, uma das melhores partidas do Brasil no Mundial, Deonise saiu de quadra com o prêmio de melhor jogadora).

P: Analise nossos adversários na primeira fase: Rússia, Austrália e Macedônia.

D:Temos obrigação de vencer Austrália e Macedônia por serem equipes que hoje o Brasil pode impor seu ritmo de jogo com mais tranqüilidade, já a Rússia é a atual campeã Mundial, mas tivemos a oportunidade de enfrentá-las na Dinamarca em outubro e vimos que temos capacidade de fazer um jogo muito disputado. Vamos com o pensamento de vencer todos os jogos.

P: Voltando um pouco no tempo, para o mês de julho de 2007, qual a dimensão de Jogar um Pan-Americano no Brasil, com um ginásio cheio e entusiasmado?

D:Foi algo maravilhoso! Mas pena que durou somente a semana em que jogamos. Porque o handebol do Brasil ainda é um esporte sem incentivo e sem divulgação, não existe nada como a torcida brasileira, são maravilhosos!!!

P: Qual foi o maior obstáculo até o ouro no Pan? Superar as rivais cubanas, a ansiedade, ou a obrigação de garantir a vaga para Pequim?

D: A obrigação de garantir a vaga para Pequim e ter que ganhar em casa, mas todos os fatores tiveram que ser muito bem trabalhados por todas nos jogadoras.

P: Como foi ouvir o hino e receber a medalha de ouro?

D: Algo inexplicável…. Emocionante, ainda mais estando no seu país junto com toda aquela torcida maravilhosa e empolgante que deu um show a parte quando começou a cantar o nosso hino nacional, não tem como não se emocionar e não chorar.

P: Quando foi sua primeira convocação para a seleção adulta e qual o momento mais marcante nesses últimos dois anos de convocações?

D: A minha primeira convocação foi em abril de 2006 na cidade de Guarulhos SP, o que mais me marcou nesses quase dois anos de seleção sem dúvida alguma foram os Jogos Pan Americanos que se realizaram no Rio de Janeiro 2007. Esse momento levarei comigo para sempre.

P: E nas categorias de base como foram suas experiências com a seleção. Alguma outra jogadora que fez parte daqueles grupos também integra a seleção adulta atualmente?

D: Nas categorias de base só tive convocações com a seleção júnior, a primeira foi em 2000 eu ainda era juvenil. Depois segui sempre com a júnior, fui ao Mundial de 2003 que foi realizado na Macedônia. Passou um tempo onde tive algumas lesões e não fui mais a seleção. Retornei em 2006 com uma convocação para a adulta, após ter realizado uma ótima temporada em Guarulhos.

P: Que objetivos você já conseguiu realizar na seleção e quais ainda não foram concretizados?

D: O primeiro já foi realizado que era ser convocada e fazer parte da seleção, os Jogos Pan-Americanos foram o primeiro, ainda faltam alguns objetivos onde temos que suar muito para conquistá-los, mas estamos cada dia mais perto e confiantes (medalha no Mundial e Olimpíada).

jun
21

Tipos de jogos e atividades utilizadas no Mini-Handebol

Olá amigos do handebol! Iremos continuar com a nossa série de artigos sobre o mini-handebol e tenho recebido muitos e.mails perguntando quais seriam os tipos de atividades mais indicadas para os praticantes da atividade.

Em uma área relativamente nova, poucas são as bibliografias que discorrem sobre o tipo de exercícios a serem aplicados no mini-handebol, exceto as publicações da IHF, EHF, Real Federación Española de Balonmano e o da CBHb, que limita-se a traduzir o manual da IHF.

Neste 4º artigo da série trataremos um pouco desta questão, analisando um pouco o que falam alguns autores importantes em nossa área, assim como tratarei de fazer sugestões práticas para nossas aulas.

OS TIPOS DE ATIVIDADES:

Segundo Santos (2003) nesta faixa etária de 06 a 10 anos “a criança já começa a realizar movimentos combinados aplicados a jogos. Contudo, as atividades de corrida são preponderantes neste período. A evolução de movimentos como agarrar e arremessar se tornam mais precisos” e “as atividades coletivas se tornam de grande interesse”.

Lendo atentamente o Manual de Mini-Balonmano da Real Federación Española de Balonmano (2002) vemos alguns tipos de exercícios sugeridos, e que quase todos eles enfocam a ludicidade e a psicomotricidade, porém, sem definir os conceitos.

A definição da palavra lúdico no Minidicionário LUFT (1991) define lúdico como “relativo a jogos, engraçado, jocoso”.

Vygotsky (1989) considera que brincando a criança é capaz de satisfazer as suas necessidades e estruturar-se à medida que ocorrem transformações em sua consciência.

Segundo Luckesi (2000) lúdico “são aquelas atividades que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro, estando flexíveis e saudáveis”.

A formação lúdica possibilita ao educador conhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades, desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, do jovem e do adulto (SANTOS, 2001).

Piaget (1998) diz que “a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa”.

A capacidade de brincar possibilita às crianças um espaço para resolução dos problemas que a rodeiam. O ato de brincar é mais que a simples satisfação de desejos. O brincar é o fazer em si, um fazer que requer tempo e espaço próprios; um fazer que se constitui de experiências culturais, que é universal e próprio da saúde, porque facilita o crescimento, conduz aos relacionamentos grupais, podendo ser uma forma de comunicação consigo mesmo e com o meio que a rodeia. (WINNICOTT, 1975)

Já sobre psicomotricidade o site da Associação Portuguesa de Psicomotricidade definida como “o campo transdiciplinar que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistêmicas entre o psiquismo e a motricidade. Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolingüísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psico-social.”

Já o site da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade define como “a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo”.

Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. “Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização’”.

Na literatura, existem vários autores que apresentam diferentes tipos de jogos de acordo com a faixa etária, sempre relacionando o jogo com as características do desenvolvimento da criança.

Piaget (1971), pesquisando sobre o desenvolvimento das inteligências, verificou que, baseado na evolução das estruturas mentais, existem alguns tipos de jogos infantis, que vão se sucedendo e se sobrepondo, e sobre os jogos de regras ele diz que “aparece quando a criança tem de 7 a 11 anos aproximadamente, apesar de começar a surgir por volta dos 4 anos. A criança identifica algumas regras impostas pelos adultos. Aos sete, as regras são inflexíveis e sagradas, depois disso passam a ser produtos de acordos, e modificadas por uma questão de consenso. Existem alguns critérios para um jogo ser considerado de regras: objetivo claro ao ser alcançado, existência de regras, intenções opostas e possibilidades de se levantarem estratégias”.

“As crianças, nas suas relações com os iguais, descobrem que é necessária à reciprocidade, para agir conforme as regras, levando em conta que as regras são efetivas, se as pessoas concordarem em aceitá-las. Sua procedência não mais deriva da autoridade externa, mas resultam de convenções acordadas entre indivíduos e, portanto, podem ser modificadas (PIAGET, 1998)”.

Outro tipo de jogo é a defendida por Amaral (2007), os jogos cooperativos, e os define como “atividades que requerem um trabalho em equipe para alcançarem metas mutuamente aceitáveis. Não é necessário que os indivíduos que cooperam tenham os mesmos objetivos, porém seu alcance deve proporcionar satisfação para todos os integrantes do grupo”.

Para Orlick (1989), os jogos cooperativos, são divididos em diferentes categorias, pois achava necessário adequar os jogos aos grupos que jogam:

  • Jogos cooperativos sem perdedores: todos os participantes formam um único grande time. São jogos plenamente cooperativos;
  • Jogos de resultado coletivo: permitem a existência de duas ou mais equipes, havendo um forte traço de cooperação dentro de cada equipe e entre as equipes, também. O principal objetivo é realizar metas comuns;
  • Jogos de inversão: enfatizam a noção de interdependência, por meio da aproximação e troca de jogadores que começam em times diferentes. Estes se dividem em: rodízio, inversão do goleador, inversão do placar e inversão total.
  • Jogos semicooperativos: estes jogos favorecem o aumento da cooperação no grupo e oferecem as mesmas oportunidades de jogar para todas as pessoas do time. Os times continuam jogando um contra o outro, mas a importância do resultado é diminuída, a ênfase passa a ser o envolvimento ativo no jogo e a diversão (todos jogam, todos tocam, todos passam, todas as posições e outras maneiras).

    Santos (2003) afirma que “o professor deve lembrar sempre que a prática do mini-handebol tem que responder às seguintes exigências:

  • Atuar pedagogicamente visando ao desenvolvimento global de todas as crianças;
  • Ser lúdico;
  • Ser prezeroso;
  • Facilitar as aprendizagens nos domínios motor, cognitivos e sócio-afetivos.
  • Estimular o trabalho em grupo.”

    CONCLUSÃO:

    Grande parte dos autores citados nos faz, através de analogias, definirem o jogo de mini-handebol como sendo lúdico, psicomotor, jogo de regras, lúdico, competitivo ou cooperativo e dentro destas definições devemos planejar nossas aulas para que as atividades aplicadas sejam sempre coerentes à proposta e filosofia da atividade.

    As atividades especificas dentro de tipo de jogos proposto no mini-handebol devem ser planejados de acordo com a realidade de cada professor, de cada turma, local de trabalho, etc, pois adequando nossos recursos gerais disponíveis a filosofia do mini-handebol congratulamos de diferentes formas o mesmo objetivo.

    PRÓXIMO ARTIGO

    Em nosso próximo artigo trataremos de ilustrar de maneira simples e objetiva pontos referentes ao desenvolvimento motor de crianças de 06 a 10 anos, assim como a carga, os tipos de atividades especificas e particularidades das intervenções que devem ser feitas pelos professores durante toda a trajetória dos educandos nos quatro anos do mini-handebol.

  • mai
    20

    Aplicação de regras básicas do mini-handebol

    Olá amigos do handebol! Neste primeiro artigo de 2008 e terceiro da série “mini-handebol” gostaria de desejar um excelente ano-novo a todos os amigos do site Portal do Handebol e agradecer aos e.mails enviados elogiando os outros artigos.

    Neste artigo trataremos da parte de aplicação de regras básicas e suas variantes em relação a ações e fundamentos simples do mini-handebol.

    Em boa parte do artigo discutiremos um pouco do que fala o manual de mini-handebol da Real Federación Espanõla de Balonmano e da Intenacional Handball Federation, sempre inserindo às regras constatações pessoais que obtive durante todos este anos trabalhando com o mini-handebol.

    INTRODUÇAO:

    As regras do mini-handebol foram pensadas e adaptadas para que a aplicação da atividade fosse sempre a mais positiva possível a seus praticantes, assim como preparasse os pequenos para que posteriormente as regras oficiais do handebol fossem facilmente assimiladas.

    Quase tudo no mini-handebol é simplificado e mais brando em relação ao handebol, fato que visa também fazer com que o jogo não se torne desagradável principalmente nos dois primeiros anos de mini-handebol, onde as crianças ainda não estão preparadas para lidar com muitas regras e punições rígidas.

    Em muitos momentos os próprios alunos podem alterar as regras do jogo ou da atividade caso a mesma seja viável e conforme os objetivos de cada professor, fato que acontece principalmente na segunda fase do mini-handebol, onde eles já possuem um poder maior de argumentação e assimilação das regras. Ressaltamos que estas alterações sugeridas são validas para que a pratica da atividade desperte o maior interesse e prazer dos educandos em praticá-las, congratulando um dos principais objetivos em relação aos alunos nesta fase.

    Nos itens a seguir, que tratam das regras simples do mini-handebol em relação aos fundamentos e ações, não devemos esquecer das dicas do capítulo dois, que discorre muito sobre o processo de adaptação de acordo com cada situação e realidade de cada turma.

    JOGADORES:

    São permitidos quatro jogadores de linha e um goleiro, porém, caso nossa turma seja mais numerosa e nossa quadra for maior é melhor colocar todos jogando juntos do que deixar um ou dois alunos sentados, sempre respeitando o limite de seis jogadores na linha fazendo uma analogia com o handebol.

    Em caso de atividades lúdicas ou psicomotoras o ideal é que sempre todos participem ao mesmo tempo das atividades.

    TEMPO DE JOGO:

    O tempo de jogo sugerido pelo RFEB e pela IHF é dividido da seguinte forma:

    2 Tempos de jogo;
    Cada tempo dividido em 2 sets com 10 minutos cada;
    Intervalo de 6 minutos entre os tempos principais e 2 minutos entre os sets.

    Mais uma vez podemos adaptar o tempo de jogo de acordo com o nosso tempo disponível e nosso planejamento de aula, visto que as regras propostas somente visam estabelecer tempo suficiente para que todos alunos possam jogar de maneira igual em relação ao tempo.

    Se tivermos uma turma com 30 alunos e uma aula com 50 minutos para aplicar os famosos jogos coletivos basta fazermos uma adequação e um planejamento prévio para que possibilitemos aos nossos alunos um tempo de jogo razoável, de forma que todos joguem o mesmo tempo de jogo evitando comparações e reclamações freqüentes nessa idade.

    SUBSTITUIÇÕES:

    As substituições no mini-handebol, assim como no handebol, são ilimitadas, porem devemos seguir o mesmo conceito de usar uma área de substituição para as trocas, fazendo com que esta regra básica seja fixada já neste período de aprendizagem.

    REGRAS GERAIS DE QUADRA:

    As regras simples do handebol como máximo de 3 passos, duas saídas, faltas, cobranças de faltas, etc, devem ser mantidas principalmente na segunda fase do mini-handebol que vai dos 08 aos 10 anos de idade, assim a transição do mini-handebol para a categoria mirim será mais tranqüila principalmente em relação ao entendimento das regras. Todavia o bom censo na aplicação das regras deve ser observado em todos os momentos, visando até mesmo favorecer alguns alunos a obterem êxito em suas ações.

    Uma das adaptações mais freqüentes usadas no mini-handebol é o do tempo em que o aluno pode segurar a bola, ao invés de 3 segundos, 5 segundos.

    Outra adaptação é a de ignorar em certos momentos algumas falhas como dar duas saídas e dar mais de 3 passos com a bola na mão, principalmente na primeira fase do mini-handebol, visando não parar o jogo excessivamente e, assim com já dito, favorecer as ações de êxito dos alunos. É importante ao término de cada aula, ou mesmo no momento de cada infração, apontar os erros em relação às regras, fazendo com que pouco a pouco todas as regras sejam compreendidas por todos e aplicadas em sua totalidade nos jogos e atividades.

    Em relação à faltas e punições devemos ser cuidados e pacientes ao extremo nesta fase, prevalecendo sempre a conversa e a instrução bem explicada. O favorecimento do deslocamento lateral, diagonal, ou seja, da mobilidade defensiva e individual nesta fase deve ser muito estimulada, assim como evitar fazer faltas mais grosseiras, e isto deve ser exaltado a todo momento pelo professor. Quando faltas mais graves ocorrerem cabe ao educador pontuar o erro e fazer com que os alunos não se atritem e entendem as ações.

    Na primeira fase do mini-handebol os cartões e o 2 minutos devem ser evitados, já na segunda fase eles podem começar a aparecer até para que sejam compreendidos dentro do contexto do jogo, sempre com o cuidado de explicar com antecedência aos alunos cada tipo de punição.

    CONCLUSÃO:

    Devemos aplicar grande parte das regras do handebol, de modo simplificado e que seja entendido no contexto do jogo pelas crianças, fazendo com que a pratica do mini-handebol possibilite alem do desenvolvimento global um entendimento geral de quando, como e porque das principais regras do jogo, sempre de maneira positiva e didática.

    PRÓXIMO ARTIGO:

    No quarto artigo da série mini-handebol o tema será os tipos de jogos indicados para crianças de 6 a 10 anos, utilizando não só as referencias especificas para isto, mas indicações de fontes como Piaget, Wallon, Freire, etc.

    Um grande abraço a todos os amigos do PORTAL DO HANDEBOL e até o próximo artigo.

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